terça-feira, 20 de julho de 2010

Sobre minha lista de amigos

Hoje é dia do amigo.
Dia dos que dizem ser amigos, dos que pensam ser amigos, dos que conhecem a verdadeira amizade e dos que a confundem com coleguismos, interesses, comunidades e tudo mais.

Não sei fazer lista de amigos.
Não tenho muitos, mas o que sempre tenho é a sensação de que falta alguém. E esquecer um amigo numa lista, nunca deveria ser motivo de preocupação.

O que sei, é que algumas pessoas me despertam sentimentos bons e independente de qualquer outro fator (QUALQUER MESMO!!), são elas que eu vou chamar de amigas.
Quando digo qualquer fator, é porque não quero citar o fatores, mas agora sinto a obrigação de deixar claro: eu não me importo com o que você faz da vida, quanto você ganha, o que você ouve, o que você gosta, o que veste e nem com quem você anda, eu só quero que você me desperte algo bom, que me ponha para frente e sinta que posso fazer o mesmo por você. Amigos me fazem esquecer um pouco a injustiça do mundo e fugir das revoltas da vida.
Amizade é leveza, energia e amor.
Algumas pessoas me chamam atenção, e às vezes nem sabem disso, mas um dia eu posso chegar e falar. Tenho colegas disfarçados de amigos e amigos disfarçados de colegas, por isso uma lista nunca será exata e nem deveria mesmo ser.

Essa deve ser uma homenagem amiga disfarçada de colega aos que são amigos e talvez nem saibam...
Feliz nosso dia!


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CLARICE LISPECTOR, SOBRE A ESCRITA:

Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio
de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de
linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras. Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para
o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes. Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro
melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem.

Love is the answer at least for most of the questions in my heart!

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