O gosto do nada não é bom.
Não é bom não fazer nada e também não é bom não ter nada pra fazer.
É bom pensar, estudar, criar, descobrir.
Sempre tive sede disso. O domingo costuma me deixar louca o ano inteiro, mas nas férias eu costumo enlouquecer todos os dias, como hoje. Hoje é segunda-feira!! DIZ A LENDA QUE SEGUNDA FEIRA É O DIA DA PREGUIÇA! Como pode isso? Se eu me encontro aqui deitada, mas cheia de vontade de não ficar deitada, tudo que eu não tenho hoje é preguiça! Já fiz meu horário das aulas na faculdade, já procurei novos livros aqui pra ler (sem sucesso), já me alimentei várias vezes (novidade), já fiquei tonta de tanta televisão... E AGORA O QUE É QUE EU VOU FAZER? Vim escrever, sem assunto mesmo, vim escrever sobre nada.
Quando a gente tem muito trabalho, fica desejando uma horinha livre, pra fazer nada.
Mas na verdade não é pra fazer nada, ninguém gosta disso, acho eu! É pra fazer outras coisas, mesmo que pareçam nada. Vou tentar explicar: posso parecer o ócio em pessoa, aqui deitada com a cabeça no meu porquinho rosa de pelúcia e o notebook na barriga, não 100% confortável, mas a melhor posição descoberta por mim até hoje. Mas isso não quer dizer que eu não esteja mesmo fazendo nada (pra minha mãe quer dizer exatamente isso ¬¬), pelo menos não o tempo todo. Eu posso conversar com alguém, pesquisar, escrever aqui, etc, etc... O nada acontece quando nada disso acontece. (ahn?) E é isso que tava acontecendo até um minuto e 46 segundos atrás, que foi a hora que momo ligou dizendo que já chegou de recife. Então acho que meu ócio acaba por aqui!
Uma conclusão: O nada não tem gosto de nada, e sim um gosto péssimo!
Tchauzinho.
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CLARICE LISPECTOR, SOBRE A ESCRITA:
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio
de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de
linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras. Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para
o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes. Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro
melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem.
de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de
linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras. Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para
o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes. Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro
melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem.
cara, penso igual a você :O não gosto de não fazer nada, mas quando tô fazendo muita coisa, quero um tempinho pra fazer "nada" kkkkkkkkk
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